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PSCR0676

1733. Carta de Isabel Gomes da Veiga para o seu marido, Manuel Soares de Vasconcelos, capitão de quadrilhas.

Autor(es)

Isabel Gomes da Veiga      

Destinatário(s)

Manuel Soares de Vasconcelos                        

Resumo

A autora acusa o marido, preso na cadeia da Baía, de não lhe enviar notícias durante 22 anos; descreve com pormenor as diligências que fez para saber onde ele andaria, bem como o muito que padeceu sem ele e o seu auxílio.
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Snr Manoel Soares de vascoz:

Meo Marido mto do meo Coração. Nunca cuidei q a forma fosse tão adverssa pa mim como agora chego a exprementar pella notiçia q tenho do trabalho em q vm se acha nessa prizão, e suposto q q reputo por justos Juizos da devina Ma-gestade; nem asim acho aLivio ao grde sentimto com q fico, na comssiderassão da ssua molestia, q Sertamte se acabará esta minha vida morta, pa de todo suavizar vm os seus trabalhos; pois não e contentando a minha ssorte com a auzca de vinte e dous annos, q tantos que vm se foi da minha compa pa as minas, dizendo q a tratar da vida e pa melhor dizer, desde q o franssez invadio, esta terra na era de 1711 se revirou vm com o Pe Anto Metella pa as das minas, e desde emtão, nem o temor de Deos, nem a obrigassão de Cazado, e comizerassão da pobreza em q me deixou e amor com q sempre me estremessi, com a sua pessoa, poderão obrigalo a voltar pa a compa desta sua tão desdichada mulher, não obostante as deligenssias q pa isso fis com precatorios de justissa, novenas, deprecassons a Deos e aos seus Santos, a vista do que tudo atribuo por castigo dos meus pecados: Se vm fizera algũa deli-gca por ssaber de mim ou quizera ter o detrimto de retificarsse pessoalmte se eu era viva ou morta, não chegara a exprementar a constarnassão em que Se , e tão ariscada athe comtinuarem os trabalhos: emfim nesta pte o não quero molestar mais; reportandome as magoas do meu coração e as la-grimas dos meus olhos, athe acabar esta triste e desgrassada vida, por sser remedio unico da ssua e minha fortuna; Por via do Tente Coronel Dez Domingoz Rodrigues Tavora, Escrivão da ouvidoria desta cide se fes deligca por mandado de vm se eu hera viva, ou morta, e como lhe vay certidão do Parocho da Freguezia donde eu asisto: acabarâ vm de dezemganarsse, e essa snra: sua mulher intruza, q me empresta Deus nosso snro a vida por atromentarme e castigarme, principalmte nesta ocazião? Ao do Dez Roiz aparessi; e a Snra Dona Franca sua mulher, e a toda ssua familia; todos me conhesserão sser a mesma q com vm cazey, filha de Jassinta, escrava q foi de João Dique e eu da da caza Com as estimassons e amor com q me tratava meo Padri-nho, o Snr Diogo Duarte, Seu filho; e foi o q tratou de cazarme com vm, quissá emtão por pouca vonte minha, q paresse adevinhava este ssuçesso; de todas estas circunstanssias estava vm Lembrado, como tambem de asistir vm em caza de Anto de Madura Lavrador, e vizinho da da fazda e hera bem rapas vm quando cazou commigo, no oratorio da fazda e caza; e forão Padrinhos, e testemunhas do nosso cazamto Maria Henriques, q ainda he viva, minha madrinha Maria de Siqra Sogra de Sirurgião Pedro Fra, Fernão Dique e ea E suposto me paresse escuzada toda esta Lembranssa não seja por falta della, o dezemgano dessa minha Snra provan-do com as circunstanssias q me deixou vm qdo sse retirou, pa as minas em Caza e Compa de João de Atayde, de donde me reColhy pa a Caza de Manoel Cranro na compa de sua mulher e cunhadas, como minhas parentas, assistindo alguns annos, nesta tal Caza, do q vm teve inteyra nopticia por varias Por varias pessoas e ainda pello mesmo Manoel Carnro; seu Irmão o Capm Luis Queyxada João Aranha Joseph Gomes, por qm vm me mandava buscar, e por Franco de Mattos Barbalho; todos estes virão a vm no ouro, branco e o comonicarão no do tempo, dandome notissia de se achar vm com boas Lavras e onze escravos, e hũa mulata com hu filho, ama de ssua caza: por cujo motivo, e por ser meo condutor, Franco de Mattos, ainda o velhaco Joseph Gomes, não fui pa sua compa? Lembrandome tambem q emqto vm sse não esquesseo do amor q me deve, algua couza me mandava de llá, que tudo vinha a parar na mão dos golozos, donde eu estava, padessendo por esta cauza mtas nessecides fomes, e doenssas; e indo Marcos da Costa as minas, se tratou vm com elle, e lhe coprou, hũa carregassão, de tinteyros, e redicularias, Semelhantes, q tudo emportou, pello q elle dezia, quinhentos, ou sseisssentos mil reis, querendo incluir nessa conta sincoenta mil reis, que vm me mandou dar, que mos não deu; por cujo motivo, e cobranssa, do do Marcos da Costa se ritirou vm das minas pa os curais da Bahia, assistindo algu, tempo, no lugar chamado Pandeyro, indo e vindo, as minas com gado, communicandosse com João Soares, feitor q foi das mossas cazadas com Manoel Carnro filhos, de Bento da Fonca e por via de David: de Miranda conhessido de meo padrinho Diogo Duarte, mandey duas procatorias, ao Pandro procurar a vm alem de outras deligcas q tenho feito com exsseço: Lembresse vm q nesta cide do Rio de janro moramos nas Loges, do Pe ldo Correya, e nas de João Ayres da guerra, tratando vm do sseu offiçio de barbeyro: isto digo por-Porq saiba q ssou, a mesma Izabel Gomes, filha de Jassinta, sua hunica e des-grassada mulher, e que tenho padessido mtos trabalhos, infermides q me acompanhão e ssem emcarçimto estive amortalhada, cuja noptissia duvido q vm la a tivesse, pa o sseu cazamto: do qual algua noptissia me chegô, averão tres annos pella co-pia desses banhos q lhe remeto: e desde emtao, tenho feito grdes delegenssiaz por ssaber a sserteza, escrevendo a vm repetidas vezes, por via de pessoas principaes desta terra; e por via de Joseph Carvalho de olivra remeti hũa precatoria, e agora ssey com sserteza estâ vm prezo, por se ter cazado à oito annos, por seu gosto, porem eu sempre prefiro, a essa ma sra q mto venero por couza de vm mto a meo pezar; e não permita Deus q ambas fiquemos em branco, mas sem-pre se darâ justissa a qm a tiver; q todo o meo ponto pedir a Deus o Livre desse trabalho. Lembro a vm mais q fassa memoria daquelle comsseito do Pe Fr Anto Capareyro, o qual em algũas cartas q vm me escreveo das minas, mo repetia, agora lhe pode servir pa comfuzão, de rezulussão q tomou; eu fico asistente na caza e fazda do Capm Dor Luis Pouzada de Abreu, na compa de sua mu-lher e ssogra a Sras Donas Izabel de Souza, e Izabel Rangel, pessoas tão graves e tão principaes q são primros Sem segdos nesta terra, filhas e neta do Snr Coronel Bar de Abreu Cardozo, (q Ds haja) que vm bem conhesseo com os respeitos q tinha, e ja se ve q estando eu em semelhante caza e amparada destas pessoas, como serâ o meu prossedimto? alem de al-gua rezão, de q sou indigna, (e dos sseus favores; Tambem quero dizer a vm Tambem quero dizer a vm a cauza q tive de me sahir da compa e caza de Manoel Carnro e sua mulher; este tal subjgeito dezemganado de que vm me não poderia mandar ja nada como o faria, vindo parar a ssua mão pa destribuir como queria, fes logo penhora na negra Jozepha q eu tinha e se pagou de hu credito q dis, devia vm a João Ara-nha por ssua conta, e fes tais tratados, com o velhaco Joseph Gomes, q ambos a venderão, e se pagarão, e eu, padessendo mtos achaques, como gotta, accidentes flussos de sangue e o mais q Deos sabe.

Tambem avizey a vm q Marcos da Costa era morto, e q não deixou declarassão nemhũa das con-tas q vm tinha com elle, que não seria essa a Cauza, do sseu retiro, a-lem de alguas circunstancias mais q podião insitalo a vir. Não quiz Deos q foi asim servido: e ultimamte se me ofereçe dizerlhe, q me a de dar Lissenssa, pa mandar tratar do dirto q eu tiver, tanto pa o sseu Livramto mostrando q ssou sua Legitima mulher, como nos bẽns q me tocarem por esta rezão; Por agora fico pedindo a deos N Sr lhe diLate a = vida e o Livre por sua devina mizericordia de semelhante trabalho e o gde como quero e dezejo. Rio de Janro Tambi Em 15 de Agosto de 1733

De vm mulher amante Primra e que o adora, mas desgrassada Izabel Gomes.

Esta vay remetida por via do Tente Coronel Dor Jose Tavora e por elle mesmo se quizer escrever o fassa.


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