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Maarten Janssen, 2014-

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1642. Carta de Cristóvão Leitão de Abreu, ouvidor-geral, para [António de Faria Machado], conselheiro do Vice-Rei da Índia.

Author(s)

Cristóvão Leitão de Abreu      

Addressee(s)

António de Faria Machado                        

Summary

O autor conta a um membro do Santo Ofício, seu amigo, que está injustamente preso. Pede-lhe que verifique como as suas razões são verdadeiras.
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[1]

Meu amigo e meu sr da minha alma e do meu coracão que

[2]
he o luguar onde Vm verdadeiramte sempre asiste e Vivera eter
[3]
namente prezo, solto, Vivo, e morto, ausente, e prezente, e sofra
[4]
me dilatarme q a causa o pede e obriga a tudo.
[5]
Valhame Jezu Christo q não sei o q digo nẽ conheco o estado em
[6]
q estou q he tal que ja não permite este istilo perdoeme Vm
[7]
qa ex abundantia cordis os loqtr E posto q me vise no myrador
[8]
e a Vm na cadeira de S Po me não atrevera a mudar de lingoagẽ
[9]
porq conheço a Vm immovel aos desiguais ballanços de furtuna
[10]
e como Ja disse a Vm furtuna mutat genus. Desgracado
[11]
mofino sou e fis provou em mi a sorte todo o Rigor assy no Reino
[12]
Como neste Clima aonde posto q me quis de hum golpe consumir
[13]
e desfaser se enganou no tempo pois cometeo a exausão a Vm
[14]
com quem elle nem ella tem nenhũ poder como hu Vi e Vivi
[15]
Não faso como o juis q sei q na justisa verdade emteresa
[16]
nẽ sange nẽ amisade nẽ o poder do mundo todo tem nenhu lugar
[17]
pa com Vm e so o tem o zelo e a integridade como em tantos annos
[18]
se tem bem alcansado e se publica em toda a India e Portugal e não
[19]
tenha Vm isto por licenca q mtas vezes o repeti antes deste suceso
[20]
Tambem conheco q assi como a amisade me não podera ajuntar
[21]
da justisa sei q no primor e entendimento de Vm me não podera
[22]
fazer com q em minha vida, e em minha honra se queira Vm mostrar
[23]
rigurozamte justificado e exemplar antes sei mto deserto pello q sei
[24]
Vm q com grande gosto e larga vontade ha de precurar minha in
[25]
ocencia minha justisa minha verdade e tão sertificado e firme estou
[26]
nisto q se vir q Vm me manda queimar ainda q verdadeiramente
[27]
eu seja inocente e não tenha culpa tal conseito tenho de Vm de sua
[28]
justisa e de seu bom animo q me persuadirei q justamte me condena
[29]
va
[30]
Vm e q não pode faser menos q he tudo o q posso diser neste
[31]
particular. Não digo isto porque Vm me deve mais q este amor
[32]
e afericão nẽ porque Vm me tenha outras obrigacois q a criacão da
[33]
Vde Eu sou o que nella na india tenho recebido grandes inim
[34]
A Vm devo a vida e honra e credito pois não tive outrem q me honrasse
[35]
e favorecesse senão o sor Anto de faria machado sou feitura de Vm e
[36]
tanto me prezo de o ser q tenho meus males por ver q se podera
[37]
desfaser cousa q Vm fes com tanta vontade e bemposto e lhe dey
[38]
a licão de 206.3. Manus tuae Domine fecerunt me: et die repent

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