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CARDS1069

1692. Carta de Francisco Gomes Sardinha, vigário, para o presidente do Tribunal do Santo Ofício.

Author(s)

Francisco Gomes Sardinha      

Addressee(s)

Anónimo120                        

Summary

O autor queixa-se de ter sido preso injustamente, relata as violências que tem sofrido na prisão e pede uma audiência.
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Illmo Sor

Sempre comfesarei as obrigaçoins em q vivo mto lembrado das mtas honras, e favores q devo a alma do sor Diogo velho irmão de va illma q tenho na mesma estimação de meu amo, e sor como delle sempre me amparou das vezes q andei embarcado com elle, nesta pasajem do brazil para o Reino, e muito perdi com sua morte permitta Ds Lembrarse de sua alma, e comservar a va illma em sua graça Devina com perfeita saude, e dilatados annos pa o bom guoverno e direcção da prizidencia do soberano tribunal do sto officio, e amparo dos fieis, e comservação da nossa sta fee. Meu sor aos Illmos Senhores inquizidores do tribunal soberano q va Il-lma prezide fis patente na frota passada e ao depois no navio do torrão, q partio atras por cartas firmadas por mim, q na frota do anno de 88 intentava embarçarme a dar noticia de serta materia de mto grande pezo e concederação do serviço de Ds por cauza de me sobrevir hum achaque nos olhos q me privava a vista não consegui, e na frota seguinte de 89 estando pa seguir viagem prendeume o meu B D Juzeph de barros de Alarcam, de q tambem dei parte aos dos senhores, depois disso se moverão outras consequencias por me ter reteudo na prizão sem recurço de me dar livramto, nem deferir minhas peteçoins, ou remeterme a S M q Ds gde de quem publicava era eu prezo pa poder ir dar satisfação de mim e do q nesta frota faço menção aos mesmos senhores, e em particular a V Illma Dous annos ha q me tem prezo con tanta avexação como he notorio a todos, e apurado eu de tam perfiada tirania de me não dar recurço a essas culpas, q me formou na vizita desta injustissa, e violencia fis fuga, e não da prizão fui a buscar o sagrado das Igrejas, como tinha dito q era prezo da S M pa dali ir em minha liberdade perante a pessoa real, e dar parte do avizo q ti-nha feito aos Illmos Senhores Inquizidores; tanto q me vio nesta liberdade mandou publicar excommunhão q era prezo do sto officio pa q me não valese a inmunidade, aos fieis, e com esta nos atimidou a este povo, e as relijioins valendose do brasso sicular, e tiroume do Collejo da compa e tem me mais oprimido com ferros sem me querer remeter nesta frota, visto dizer de novo q sou prezo do sto officio, dizendo ate agora q era de S M, e deixame nesta prizão dizendo q não he menos juis, e q tem avizado con tenção de me acabar a vida nesta prizão tam dilatada pa q não seja ouvido, emqto me vem recurço quer dar diante sua informação como lhe pareser pa pervaleser o seu odio, e tenção com q me chegou a este estado. Va Illma he christianissimo pa me deixar o meu direito rezervado, e ser tambem ouvido qdo for; por emqto dou parte por maior, do motivo, e leve sospeita q teve de mim, pa uzar commigo de tanto rigor com poder do cargo. A total cauza e motivo q tomou pa me prejudicar na honra, fazenda, credito, e na prizão q me tratou pior q a hum bruto; foi por eu confiar, e ofereser o necessario ao sindicante Belchior da cunha broxado pasando pella minha freguezia q se recolhia pa a Bahia depois de sindicar delle por ordem de S M sem ser eu sabedor q rezido desta cidade mais de cem legoas, daqui nasceu toda a minha ruina; como he odiozo, e vingativo, asim q chegou com a vizita tais diligencias fes por me formar culpas, comvocou a huma conjuração contra mim Que me causou tais culpas tam supostas, e falsas, a fim de me destruir, e imfamar, q fas tremer a terra os meyos q buscou pa isso, q parese couza inercimel q hum Princepe, ecleziastico chegase a fazer tal contra seu subdito, q não tem offendido, e como elle obrou diãnte de hum povo tam publicamte contra mim não se pode emcubrir esta verdade, e minha emformação constrangendo a todos os freguezes com excommunhacois q fasem perante elle, e os amotinou de forte, q foi hum dia de juizo, dizemdo q era ordem de S M pa me prender, q por favor de Ds me não matarão alem de outras mtas acçoins q obrou em dano meu, q deixo rezervado pa me queixar perante v Illma q eu não cometi crime nenhum, e me acho com a concientia segura, pois bem consta por cartas minhas aos Illmos senhores inquizidores, o dezejo q tenho de ir Suposto, q he em outra materia, e agora com mais rezão da falcidade, q me imputão pa q se conheça a minha ignocentia q Ds me fes m de limpo sangue, e procedo de huma familia q nella ouverão mtos grandes Princepes, ecleziasticos Columnas da Igreja e meu irmão D Constantino Sardinha Rangel he o Bispo de S thome de Meliapor na xina, com mto grande fama pello mundo de seu talento, e procedimto. V Illma he o q prezide no soberano tribunal do sto officio, ahi Sebastião Dias velho, q he o mais pa amparar aos aflijidos, q se valem do seu favor, e compaixão: portanto peço a v Illma me valha pellas sinco chagas de nosso Sor Jesu christo a q venha ou a algum commissario, e não ao vo gl João pimenta de carvalho pa q me remeta logo a esse sto tribunal con toda a brevidade posivel, como he estilo uzarse com semelhantes prezos ja q o meu Bispo me quer fazer judeu. e perdoe v Illma minha confiança q he nascida da mta Sem rezão, e excessiva pena, e dilatada pri-zão a pessoa de V Illma gde Ds por felecissimos annos.

cadea rio de janeiro 4 de junho de 1692 annos. De V Illma mto humilde, e obedientissimo servo o Pe Vo Franco guomes Sardinha. etc

Legenda:

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