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CARDS2021

1725. Carta de Francisco Gonçalves Machado Carrina, padre, para seu tio, Jorge Fernandes, também padre.

SummaryO autor pede ao tio que se não ofenda com ele, diz-lhe que está preso e faz-lhe chegar alguns pedidos e notícias de intrigas.
Author(s) Francisco Gonçalves Machado Carrina
Addressee(s) Jorge Fernandes            
From Portugal, Miranda
To Portugal, Bragança, Argozelo
Context

Segundo informações do Caderno do Promotor, alguns moradores de Argozelo identificados como «gente de nação dos cristãos novos» disseram que Isabel Gamboa, moça solteira e «mulher meretriz», difamava todos os moradores com mentiras e nomes muito injuriosos, vivendo durante o dia e à noite com a porta aberta, pelo que havia pendências e discórdias entre ela e aqueles moradores. Isabel Gamboa nem seria daquele lugar e não pagava a sisa, pelo que os moradores pediram a sua expulsão ao Juiz de Fora (19/10/1730). Depois de expulsa, Isabel Gamboa começou a queixar-se dizendo que, se a queriam expulsar, era por ela não querer «ajudiar» com eles, no que foi ouvida pelo padre Francisco Gonçalves Machado Carrina, que denunciou o caso ao Santo Ofício. O comissário que se deslocou a Argozelo não concluiu nada do auto de testemunhas a que procedeu. Comentou até, na carta de 20/10/1731 que dirigiu a um Inquisidor de Coimbra (transcrição normalizada): «Na forma que VSa. me ordena, fiz esta diligência inquirindo as testemunhas nela conteúdas, com aquela exação e cuidado que a matéria pede, sem que pudesse alcançar cousa alguma mais que o deposto pelas tais testemunhas, de cuja verdade não posso fazer firme conceito. Porque as pessoas que, pela sua qualidade e limpeza de sangue, se fazem dignas de crédito não podem saber cousa alguma dos particulares da gente de nação dos cristãos novos pela grande cautela que usam, mostrando-se nas suas ações exteriores mais pios, devotos e católicos que os mesmos cristãos velhos.» (fl. 254v). A Inquisição não terá chegado a levar esta suspeita de judaísmo por diante, pelo que houve lugar à instauração de processo. Os moradores de Argozelo que Isabel Gamboa denunciara, entretanto, fizeram a sua própria exposição ao Santo Ofício e alegaram sobretudo que o padre Francisco Gonçalves Machado Carrina era «inimigo capital dos sobreditos moradores», conservando destes um ódio que o levava a maquinar as mais ardilosas artimanhas para os incriminar. Como o dito padre era «de tão má língua», chegava a insultar os moradores de «cães, perros, judeus e hebreus», como pretenderam provar pelas catorze cartas que enviaram à Inquisição e que o padre tinha trocado, anos antes, com um seu tio. A razão do conflito entre o padre e os moradores não fica nunca muito clara na documentação conservada, mas teve provavelmente a ver com o facto de o padre ter sido processado no passado sob acusação de ter engravidado uma jovem.

Dentro do fundo do Tribunal do Santo Ofício existem as coleções de Cadernos do Promotor das inquisições de Lisboa, Évora e Coimbra. O seu âmbito é principalmente o da recolha de acusações de heresia. A partir de tais acusações, o promotor do Santo Ofício decidia proceder ou não a mais diligências, no sentido de mover processos a alguns dos acusados. Denúncias, confissões, cartas de comissários e familiares e instrução de processos são algumas das tipologias documentais que se podem encontrar nestes Cadernos. Quanto ao crime nefando e à solicitação, são culpas que não estão normalmente referidas nestes livros.

Support meia folha de papel dobrada escrita em todas as faces.
Archival Institution Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Repository Tribunal do Santo Ofício
Collection Inquisição de Coimbra, Cadernos do Promotor
Archival Reference Livro 361
Folios [259l]r- v
Transcription Leonor Tavares
Contextualization Leonor Tavares
Transcription date2008

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Meu thio he sr sempre foi demais en rezão da fruta mandar qua hun proprio q nada inportava estivese la e mais tal Como he la he q hi lhe mando onze pares in mostra veijo o q me dis parthio manoel de oliveira se tiver oCazião antes da feira mandeme dizer aos quantos partio dese povo q fiCo Com pena en rezão Do proprio q mandei não esteija a esperar porq se não partio no sabado fes ontem oito dias avia de esperar tanbem veijo o q me dis dis la hese Cornudo Do bufara q mente q juro V m tan somte nem in tal pesoa falei e so dise sobre os outro Cornudo do pedriCo me disera morava Com hele e inda isto se o falei foi por me hele dizer q levara la o trigo q de Ca mandei e q lho disera hele esta he a verdade e tomeo por onde quizer q ja o Corvo não a de ter as asas mais pretas - fique Certo q de quem se abraCou Commigo q numqua me esqueCi Como V m vera Con brevidade sinto morer dos lopes porq sera procurado en que morto pa fazer rir a jente a semente de repolho ir la Com brevidade que sem V m mo adevertir a tenho mandado vir de Camora Com otra q mandou vir o governador se me poder mandar vir a folhinha o faCa que qua não ten parCido nem huma se o Cão Do oliveira partio no dia que digo Crendo Des primeiramte sen inbargo da sua hida se o rio não for moi turvo intendo no dia de feira estar solto antes de se julgar sobre o mereCimto Dos Aotos e se na mandei o janeCo foi porq se este quizera tirarme mandado de soltura quando sahio a sna in braga podera fazer sem desCulpa porque lho adeverti mas puxou a mestiCada e juntamte dise me os tenpos atras q se o juis apostoliCo os Condenava so nas Custas faria bem que intão q não apelavão e herão Cauzas demais pa desConfiar pa bem não avia de hir hele nem o q foi mas paCienCia e o dizerem a V m avia de hir heu mal podia pois estou prezo a orden do juis apostoliCo e agora veremos se me manda soltar que he a q tan somte mandei e levar proCuraCão porq o oliveira não me a de tirar a justa que levo nos Aotos e no dia de feira senpre me avize se por hi antes não vier hun estudante de freixedelo Do dia que partio o homen quanto a paula ja mandei dizer a V m descansase visto se valer de V m a q Ds gde

Miranda e fevereiro- 26 de 1725 a de seu sobrinho Franco MaChado Carrina De me ao Anto de Ana pires minhas lenbranCas e q sinto as suas molestas fique emV m Dise não ao provizor o Rdo Pe Reitor se andava gavando lhe mandara trinta arateis de Congaro ouve quem lhe pedio o maCado que aperte Com hele e faCalhe Camaraca aos peixes pa q lhe mande alguns pa q se desingane q lhos não a de aCeitar ou outra Couza piqueo

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