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CARDS8045

1809. Carta de Alves para António Vidal Ferreira Pinto, padre.

SummaryO autor pede ao destinatário para vender a mercadoria.
Author(s) Alves
Addressee(s) António Vidal Ferreira Pinto            
From América, Brasil, Minas Gerais, Mariana
To América, Brasil, Maranhão, Cururupu
Context

O capelão de Cururupú, o Reverendo António Vidal Ferreira Pinto, foi denunciado em 1813 por um lavrador inimigo, José Gonçalves Castelhano, enquanto culpado de uma série de crimes. O réu foi acusado de viver "escandalosamente amancebado durante mais de nove anos com Faustina Teresa, mulher casada com o alferes António dos Reis", e ainda "concubinado de portas adentro com a preta forra Maria Benedita." Disse-se ainda que era "muito remisso na administração dos sacramentos, como aconteceu com um homem branco, filho de Portugal, e com uma escrava chamada Iria do Padre António Alves Domingues", e também "um refinado negociante." Dava "conto e asilo a homens facinorosos e degredados, como um João Alves, homem de tão péssimo caráter que tem chegado a forçar algumas mulheres, dado pancadas" e era "costumado a apanhar cartas alheias para as abrir e ler e, por este meio, descobrir os segredos das famílias e dos particulares." Fazia "um notório e sórdido monopólio dos mesmos sacramentos, não batizando senão por mil e seiscentos réis, quando a esmola que recebe o pároco não excede a quatrocentos réis, e não assistindo ao sacramento do matrimónio sem que lhe deem três mil e duzentos réis." O autor do processo, no entanto, acusou também o dito padre de um crime mais banal. A 25 de setembro de 1812, o padre teria cometido contra si um "rigoroso furto": o roubo de um boi de carro, mandando-o matar "por dois dos seus agregados, com o pretexto de que tinha ido à sua roça", fazendo com que se enterrasse o coiro e a cabeça do animal "para que se não descobrisse o malefício" e conduzindo a carne para sua casa. Ao fim de um processo criminal que durou 6 anos, o capelão acabou absolvido.

Archival Institution Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Repository Casa da Suplicação
Collection Feitos Findos, Processos-Crime
Archival Reference Letra J, Maço 3, Número 17, Caixa 11
Folios 338, 339
Transcription Cristina Albino
Main Revision Raïssa Gillier
Standardization Raïssa Gillier
POS annotation Clara Pinto, Catarina Carvalheiro
Transcription date2007

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Rmo amo e sr Mariana 18 de Abril de 1809

Remeto pa o porto 5 sacas mas pa se venderem 4 a fim de satisfazer ao sr tente Fernando e do visto comparare o visto vir em diro vão mais 2 barris de azeite meus e 11 alqes de milho heste tem 2 alqes pa vmce e o mais pa se vender leva Ignco bocado de poxiba pa vmce mandar fazer a vareta da sua arma Re carta do vigro tratandome com toda a cordura Peta... No cazo de não estar ainda o barco no porto se não cauzar emcomodo seria bom por as cargas no capiar do nosso amo Rogo-lhe pr esta vez fazer embarcar as cargas do capam Nascimto q são 9 alqes de milho e 3 de fara com a carta junta q vai aberta pa vmce ler e fechar aDs

Seu amo obrigmo e do c Alz

Com 18 alqes de milho 2 barriz e 5 sacas venha o sal q la esta q não he meu vai mais hua saca mor q faz o mesmo de 6 pequenas 2 e vão 4 pa se vender


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