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CARDS3051

1760. Carta não autógrafa de Rosa Maria Egipcíaca, escrava forra, para Pedro Rodrigues Arvelos, lavrador, e sua mulher, Maria Teresa de Jesus.

SummaryRosa Maria Egipcíaca escreve a Pedro Rodrigues Arvelos e à mulher, Maria Teresa, a falar-lhes de assuntos devotos e religiosos. Refere um parto recente de Maria Teresa e o facto de o recém-nascido ser seu afilhado. Dá conselhos sobre como os destinatários devem castigar uma escrava (mas ao mesmo tempo tenta defendê-la). Desaconselha a proximidade entre as filhas dos destinatários e as escravas, contando a propósito uma anedota edificante sobre a virgindade. Refere uma causa jurídica em que está envovido o destinatário e fala dos homens da Justiça como "cegos e sem luzes da Razão". Ensina uma oração a São Francisco de Paula para protecção nessa causa. Dá notícias das filhas dos destinatários que estão no Recolhimento, sendo que uma tem "uma dureza na barriga".
Author(s) Rosa Maria Egipcíaca
Addressee(s) Pedro Rodrigues Arvelos            
From América, Brasil, Rio de Janeiro
To S.l.
Context

Há três fontes documentais e uma monografia que permitem contextualizar a personagem histórica de Rosa Maria Egipcíaca, bem como o círculo em que se movia: trata-se dos processos 2901, 9065 e 18.078 da Inquisição de Lisboa, arquivados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, e uma monografia da autoria do antropólogo Luiz Mott (Mott, L. 1993. Rosa Egipcíaca, uma Santa Africana no Brasil. Bertrand Brasil). As pessoas envolvidas nos processos 2901 e 9065 enquanto réus são Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz, escrava forra (natural de Ajudá, na costa de Benim, África, de etnia courã e residente no Brasil), o Padre Francisco Gonçalves Lopes (português, residente no Brasil) e o Padre João Baptista de Capo Fiume (italiano, residente no Brasil). Os primeiros dois conheceram-se em São João del Rei (Minas Gerais), ainda Rosa era escrava. Segundo o seu testemunho, em 1748 converteu-se à vida religiosa guiada pelo Padre Francisco Gonçalves Lopes e abandonou um passado de prostituição. Afirmou à Inquisição ter sentido “invasões espirituais malignas” e ter sido exorcizada pelo padre. Alguns acontecimentos foram contribuindo para a crescente má fama de Rosa e para a desconfiança das autoridades em relação a ela. Em 1749, numa igreja, estando Frei Luís de Peruggia a discursar, Rosa levantou-se e gritou algo sobre os demónios presentes no local, caindo depois no chão. Foi imediatamente exorcizada, mandada prender pelo bispo e açoitada no pelourinho da praça pública, episódio que a terá deixado paralisada do lado direito. Depois disso não havia quem a confessasse e Rosa pediu uma audiência ao bispo de Mariana para provar a sua sinceridade. Foram feitas provas de exorcismo na presença de vários sacerdotes, mas a escrava não conseguiu convencê-los de que estava possuída. Vendo o seu desespero, o padre Francisco Gonçalves Lopes convenceu Pedro Rodrigues Arvelos ‒ um lavrador amigo de ambos – a comprar Rosa à sua proprietária, e assim a escrava foi trocada por um “moleque”. Em 1751, Rosa e Francisco Gonçalves Lopes decidiram ir para o Rio de Janeiro, dada a sua fama de "velhaca" em Minas, e segundo o testemunho do Padre Filipe de Sousa, próximo dos réus, porque quiseram fugir a um possível julgamento de Rosa. Foram vivendo em casa de amigos do padre e a escrava mudou de nome, acrescentando-lhe "Maria Egipcíaca da Vera Cruz". Em 1751, Rosa aprendeu a escrever com Maria Teresa do Sacramento. Há dois documentos originais da sua letra nos processos da Inquisição, ao lado de muitos outros de que foi autora mental por os ter ditado à sua mestra de escrita. O seu director espiritual passou a ser Frei Agostinho. Em 1754, Rosa, o padre Francisco, frei Agostinho e alguns patrocinadores fundaram o Recolhimento de Nossa Senhora do Parto. O bispo do Rio de Janeiro, Dom António do Desterro, nomeou como primeira regente Maria Teresa do Sacramento (de 28 anos, natural de Lisboa), embora fosse Rosa a verdadeira responsável pela instituição. O Recolhimento seria destinado "a mulheres pecadoras que nos confessionários diziam que tinham ofendido a Deus por não terem casas para morar" (p. 42 do livro de Luiz Mott) e teve diversas recolhidas de várias idades. Maria Teresa não se sentiria como total regente, e, juntamente com Frei Agostinho cujos exorcismos não resultavam com Rosa, denunciou a africana ao bispo pelo seu comportamento estranho. Isto porque Rosa continuava com frequentes ataques e desmaios, chegando a agredir e maltratar quem estivesse por perto, necessitando de muitas atenções e diversos exorcismos, descritos por algumas testemunhas do processo inquisitorial. Frei Agostinho deixou de ser seu director espiritual, também por ter adoecido, e foram nomeadas outras pessoas para essa função. A fama de Rosa agravou-se também porque, estando numa igreja a assistir à missa, viu que estavam duas senhoras a conversar e avançou sobre elas. Destas duas pessoas, uma pertencia à elite do Rio de Janeiro (Dona Quitéria), o que fez com que, por ordem do bispo, Rosa fosse expulsa do Recolhimento de Nossa Senhora do Parto (1758). Dificilmente a ré se livraria da fama de embusteira, mas para que Rosa não recebesse nova sentença de açoites ‒ que teria, como escrava -, pediu a Pedro Rodrigues Arvelos a sua carta de alforria, e tornou-se liberta. Nos sete meses seguintes, Rosa viveu em casa de uma amiga, e depois na casa do padre Francisco Gonçalves Lopes, anexa ao Recolhimento. Entretanto, ficou como seu director espiritual Frei João Baptista, e durante este tempo Rosa disse ter a premonição de um dilúvio. Houve alguma expectativa em relação a esse acontecimento e, quando ele se deu, cresceu ainda mais a sua fama. Voltou a entrar para o Recolhimento sem explicação aparente (mas como na época o bispo estava doente, pode ter havido um aproveitamento da sua debilidade). No ano de 1759, as quatro filhas de Pedro Rodrigues Arvelos e Maria Teresa Arvelos entram para a instituição (Maria Jacinta, de 13 anos, Faustina, de 16, Genoveva, de 19, e Francisca Tomásia, de 11). Rosa era motivo de adoração, tal como as suas relíquias (dentes, sangue, cabelos, cartas, roupas e saliva, com que se faziam bolinhos para alívio das meninas que sentissem maus espíritos). Chegou-se a mandar fazer um retrato de Rosa para ser adorado na igreja, mas a Inquisição nunca o conseguiu encontrar. Já em 1762, a 22 de Janeiro, Dom António do Desterro pediu que Rosa e o padre Francisco Gonçalves Lopes fossem presos por culpas de heresia formal. Coube ao Promotor do Juízo Eclesiástico local, Dr. António José Correia, formalizar o auto de denúncia, levando a portaria a casa do Padre António José dos Reis Pereira de Castro (principal representante da Inquisição no Rio de Janeiro), que tinha sido já quem ordenara a sua anterior expulsão do Recolhimento. Não há indicação da causa de uma acusação formal repentina, mas, segundo Luiz Mott, seria por Frei Manuel da Encarnação ter sido eleito em 1761 vigário-geral, e ter sido ele um dos que pressionaram o bispo para que punisse Rosa na altura do incidente com Dona Quitéria. Ao todo foram ouvidos no Rio de Janeiro doze homens e sete mulheres, sendo o primeiro o Padre Francisco Gonçalves Lopes, que relatou episódios passados com a ré, mas sem a acusar. No entanto, a maior parte dos testemunhos foram incriminatórios e o comissário declarou haver fundamento para um mandado de prisão, que foi dado a 4 de Fevereiro de 1762. Mais nove testemunhas foram ouvidas até ao dia 13 do mesmo mês, também elas maioritariamente incriminatórias. No dia 20 começou o interrogatório a Rosa, e o padre acabou também por ser detido a 8 de Março do mesmo ano. No dia 6 de Março, Maria Teresa Arvelos apresentou-se ao inquisidor e entregou-lhe 55 cartas que ela e seu marido tinham recebido em São João del Rei (26 ditadas por Rosa, 22 do Padre, 4 de Maria Jacinta e 3 assinadas por Faustina, ambas filhas dos Arvelos), bem como um manuscrito que relatava algumas visões da ré. A 12 de Março foi a vez de seu marido se apresentar, procedimento comum na época, pois quem tivesse relação com um réu auto-incriminava-se, já que os arrependidos ou confessados podiam ter a condescendência do Tribunal do Santo Ofício. Rosa e Francisco Gonçalves Lopes estiveram presos durante um ano seguido à espera de ordens de Portugal. O único bem confiscado ao padre foi inexplicavelmente o seu escravo Brás, que por causa das acusações contra seu senhor também foi preso. Foi leiloado em Agosto, e do processo consta o "Auto de Arrematação do Mulato Sequestrado do Padre Francisco Gonçalves Lopes", que foi vendido por 510 réis. A 1 de Março de 1763, o escrivão deu os autos como conclusos, pois da parte da justiça do bispo já não se poderia actuar. A 29 de Março do mesmo ano, o Comissário António José dos Reis Pereira e Castro determinou a remessa dos presos para o Tribunal do Santo Ofício de Lisboa. As despesas da viagem foram pagas com o dinheiro conseguido com a venda do escravo Brás. Chegaram a Lisboa a 2 de Agosto de 1763 (a viagem terá demorado cerca de três meses) e foram encaminhados para os cárceres da Custódia. Foram revistados e o que confiscaram ao padre foi: uma caixa de tabaco velha de prata, um breve de marca com seu cordão, tudo em ouro, um garfo e colher de prata, 60 réis e um lenço com um embrulho de papéis. Ainda nesse dia foram transferidos para os Cárceres Secretos. A partir de 19 de Outubro, Rosa foi ouvida, mas o padre adoeceu, de modo que passou um ano até ser interrogado pela primeira vez. Na sala de audiências estariam o réu, os guardas que controlavam as saídas, um inquisidor e um notário. Rosa teve seis sessões de interrogatório muito espaçadas, que decorreram até 4 de Junho de 1765 (ano dos seus 45 anos) ficando sempre presa no cárcere inquisitorial. A Mesa pediu que todas as onze testemunhas do Brasil voltassem a ser inquiridas e que se encontrasse o terceiro réu do processo, Frei João Baptista de Capo Fiume. Mandou também que se procurasse o retrato de Rosa que era adorado no Rio. Quanto a Frei João Baptista, o familiar responsável disse ter procurado o sacerdote, mas os que o conheciam disseram que tinha voltado para Itália (terá falecido em 1786, em Bolonha, no seu convento, aos 74 anos). Quanto aos interrogatórios feitos ao padre Francisco, esses tiveram início a 29 de Março de 1764. O réu tentou desresponsabilizar-se alegando que tinha sido enganado por Rosa e pelo crédito de que ela auferia, enquanto santa, da parte de sacerdotes com posição hierárquica superior à sua. Entretanto, descreveu no processo as experiências vividas com aquela ré, chegando inclusivamente a relatar um episódio em que Rosa o terá tentado seduzir. A Mesa conclui que o réu seria culpado, suspendeu-o de confessor e de exorcista, obrigou-o a orações diárias e condenou-o a cinco anos de degredo em Castro Marim. Permitiu, no entanto, que continuasse a celebrar missa. A 24 de Março de 1766, o sacerdote partiu para o degredo, mas o facto de ter adoecido em Castro Marim levou a que lhe fosse autorizada a transferência para a sua Beira natal. O processo de Rosa ver-se-ia prejudicado pelas novas audiências às testemunhas do Brasil, na sua maioria desfavoráveis à sua libertação. Este processo termina com um escrito de Ana do Coração de Jesus (rapariga recolhida no Rio de Janeiro) com acrescentos ao seu depoimento.

O processo 18.078 consiste na minuta da certidão da fé de notários e auto de falecimento da ré Rosa Maria Egipcíaca e nele podeler-se: "Em o dia de hoje doze do prezente mez de outubro do prezente anno de mill setecentos e setenta e hum fomos ambos chamados aos carceres secretos desta inquizição e indo em companhia do guarda António Bapstista e dos digo que serve de Alcaide do Medico e mais guardas ao carcere da cozinha nella achamos hum corpo morto que reconhecemos ser da preta Roza Maria Egisiaca contheuda nestes auttos na qual se achava preza aqueles ditos Medico Alcaide guardas nos foi dito que ella tinha falecido de sua morte natural originada de varias molestias que padesia complicadas com achaques e que for a vezitada pelo nosso medico e cerurgião administrandoselhe varios remedios neçessarios para a dita enfermidade e recebera o sacramento dascensão de que se pasou esta certidão que asinamos em os ditos doze do corrente mez de 1771 Manoel Ferra. De [Mez.]".

Support uma folha de papel dobrada, escrita em todas as faces.
Archival Institution Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Repository Tribunal do Santo Ofício
Collection Inquisição de Lisboa
Archival Reference Processo 14316
Folios 66r-67v
Transcription Mariana Gomes
Main Revision Rita Marquilhas
Contextualization Rita Marquilhas
Standardization Catarina Carvalheiro
POS annotation Clara Pinto, Catarina Carvalheiro
Transcription date2008

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J M J A J a santisima Trindade asistão na Compa de vmces Meus mtos queridos filhos e ComPadres e Senhores Pedro Roiz alvelos e Maria Thereza de Jezus

Resebi a de vmces Com mto gosto e prazer e estimei mto q minha Comadre e filha tivese bom suseso ainda q Com trabalho e perigo nem eu esperava menos em minha snra do parto q ela deichase de acudir Com o seu patrosinio em similhantes apertos pois he adevogada das cazadas vmces não se esquesão dela vmce quando se vir neses perigos antes do tempo fasalhe hua novena Com hua vela de livra aseza ainda q não tem la a sua Imagem basta a lembransa e a Tensão em Como esta na sua prezensa e na sua Igreja porq diante da sua Imagem sendo de snra he a mesma sra do parto pesalhe pois q pelo seu felesisimo parto e alegre prazer de dar o mundo Jezus lus bemdita do seu ventre q lhe dee boa hora pa dar o mundo o infante ou emfanta q no seu ventre troser para ser servo ou serva sua e com estas petisoins ha de ser q, ha de emplorar o seu patrosinio; estimei mto e mto q meu filho; e afilhado sahise a lus Com perfeisão os seus Santisimos padrinhos e madrinhas J M J A J e o santisimo menino jezus da prinsicula zelo do bem das nosas almas a qm ja emtreguei e emtrego como filho contado no numero da sua familia o Crie pa das Culunas da sua Igreja eu lhe deito a ele a minha bensão unida Com a sua deles pa q seja; , varão perfeito dos seus gostos e beneplacitos e nosos eu fico asestida de saude ainda q limitada e asim como he a ofereso o dispor do serviso de Deos e de vmce e de toda esa nobre Caza vejo o que vmce me dis qi tem Ma banguela no tronco vai por dous mezes por Conta de sua despravada vida e q dizem a vmce q ela foi a cauza dese afogar o qi se afogou eu nese cazo dou ponto na boca mas digo e sei qi ela não foi he menos verdade deses q dizem hiso eu não digo q ela como mizeravel tivese algũa, queda com ele mas q fose horigem da morte não nem eu poso dizer como foi esa morte dese mizeravel nem a mim me cabe na boca di dizelo nem a vmces lhe cabem nos houvidos houvilos porq algũs quatro mezes antes desa desgrasada morte ja estava vatusinada tãobem vejo me dis qi não ha de soltala sem minha hordem eu não poso Comcorer para Soltura de hũa alma qi se dana asi e he horigem de se danarem os mais se ela fose dezempedida eu dava a vmces de conselho qi nem ponto nem hũa hora a tivesem em caza mas q a despozesem e puzese Com dono mas Como he empedida não se pode fazer ese apartamento porq ese , a Ds, pertense de catar mas , lhe digo qi a tenha preza e segura em , sepo q ela o não posa mover para estar trabalhando na tCozinha e não me Consinta qi ela tenha Comunicasão com as meninas porqi muntas Cazas estão perdidas com similhantes escravas pela pouca cautela qi ha nos pais e mãis de familias porq se fião delas por serem filhas e das escravas por serem suditas e desa sorte por esa fasilidade de fiansa dos pais e das Mãis mta Comfuzão no inferno porq o pecado no tempo de se cometer não ha escolha porq a tentasão não lugar eu trago pa exzemplo desta minha historia cazo q houvi ler em , livro q foi moso q foi cazado sete vezes e de todas esta sete vezes nunca achou as mulheres em termos porq achava tudo desmanchado e bolido e despois lhe moria a mulher e se tornava a cazar emcontrava o mesmo ele adimirado destes cazos e com o dezejo de se emcontrar Com o qi buscava Cazou Com a ultima q fazia as sete de Idade de sete Annos e ja de picado do qi lhe asosedia Com as outras fes este cazamento com mulher de tão tenrra Idade estando mto contente q aquela havia de ser o seu dezempenho, e querendo contender com ela ele não sei q estava fazendo e ela lhe perguntou para q era aquilo e ele lhe rrespondeu q hera para a não molestar porq hera criansa e ela lhe Respondeu Com todo o discoco q o esCudeirotriveiro de seu Pai tinha bolido Com ela mas q não tinha feito hiso e ele antão de adimirado lhe perguntou pois ja emtenderão comtigo e ela lhe dise ja ele antão teve pasiensia e Crioa Como sua mo molher e dela tirou mtos exzemplos para criar as suas filhas qdo as tivese Com cautela e não fiar delas couza algũa, quando foi tempo fecundõa Ds com hũa barriga e nela duas meninas que deu a lus ele antão pegou nelas asim como cahirão os pes da Mai e meteu-as em , saco q tinha ja previnido pa ese efeito de q se fose fẽmeas hilas Recolher o snor antão deulhe duas ele antão pegou No saco as costas deitou hũa, pa diante outra para tras e topou Com seu amigo e lhe perguntou para honde hia ele lhe Respondeu q hia Recolher suas filhas em hũm Comvento de freiras q a q hia adiante q sabia q hia ainda Como sua Mai a tinha parido mas q a qi hia atras q não sabia se hia inteira ou desmanchada porq ele não via e por qi fes ele isto meu filho he porq tomou exzemplo na mai sendo de tão tenrra Idade se tinha desmanchado foi porq seus Pais fiavão dela como criansa esa foi a Rezão porq o estriveiro de seu Pai se estreveo a tanto e se seu Pai e sua Mai a trosese sempre diante de si ela não havia de ter tempo de cahir nese defeito antão vmces tomem exzemplo nesta historia pa não fiarem as meninas delas nem fiarem delas Com as meninas vmces me perdõe esta matraca mas asim comvem no q Respeita a crioula e o mulatao para haver quietasão mande o mulato para a fazenda do gado e a ela asoutemna bem e tragãona bem supiada diante dos olhos e tãobem não quero o mulato ahi por amor das meninas nem quero q a crioula tenhão Com elas mta comversa nem comfiansa porq hũa carne danada metida no meio da outra q está sam tambem a dana tãobem não quero q os Irmaos machos tenhão cama junto Com as femias quero q os Criem Com o habito do santo Temor de Ds, e tãobem quero q vmces se mostrem severos Com eles pa q eles saobão temer a deos e porq filhos qi não sabem Respeitar e Temer seus Pais não sabem Respeitar a Ds, nem temelo nem sabem fugir do Risco e perigo estes avizos e lisoins faso a vmces da parte de meu sor q he zelo de bem e ele mesmo me alumeia pa q lho diga; a sua demanda Ds premita q saia Como vmces querem e eu o dezejo Com suma ansia pa vmces mais sosegados e livres desas emtalasoins sem Rezão mas meu fo o qi ha de obrar; huma justisa e hũns homens segos e sem luzes da Rezão pa asertarem no bem pa obrarem e no mMal pa fugirem eu Ca, tenho emtregado a sua demanda os meus santisimos Corasoins Corasoins e o menino Jezus da prinsicula q he o solisitador das nosas Cauzas ele se meta no meio junto Como seu; servo são franco de paula a quem fis hũa novena por cauza da sua demãda e eu mando a vmce hũa coroa de mto agrado do santo q nos deu por prenda na sua novena Consta de sinCo Padre nosos e seis misterios em memoria dos 6 annos q ele esteve no dezerto no prinsipio sipo não tem padre, noso diga logo Deus In adgitorio meu entendo e o gloria Patri e Comese logo as jaculatorias dizendo bem aventurado franco de paula abrazado sarafim Rogai a Jezus e maria por mim isto he em lugar das Ave marias e chegando as des jaculatorias diga o Gl P e Reze o padre noso e desta sorte fia a coroa Com sinco Pe nosos e sesenta jaculatorias e no fim tem salve Raynha espesialmente nas sestas feiras afervore mais esta devosão pedindolhe pela Constancia e fortaleza Com q Rezestio no dezerto as batalhas e astucias do infernal Inimigo q lhe dei fortaleza e Constansia para; Rezestir os trabalhos e contradisoins dos Inimigos desta vida humana e Comfirmidade Com a vontade de Deos e fasalhe; a sua Trezena se o portador não for depresa hei de mandar ver se ha o livro dela pa lhe mandar mas se for depresa hira pa outra oCazião; Ma comadre seja pelo amor de Ds, a esmola q me mandou asme q he pa Adigitoria de fazer Rozario a santisima Trindade; as meninas vão andando Comforme Ds, as ajuda , a mais piquena anda tomando huas ajudas por cauza de hũa dureza q tem na bariga elas tãobem esCrevem a vmces e o meu Pe tãobem escreve e aDs Com isto não sou mais estensa aseitem vmces mtas lembransas mas e de todas as mas filhas hoje

17 de abril de 1760 De vmces Comadre Mai q mto os venerão Roza Maria Egysiaca da vera Crus

Meu filho q feito he do Snor Pe João ferreira q me não fala nele nem dele tenho noticias ja morreria o afilhado de qm nos heramos Compadres pois delhe vmce taobem esa coroa de são frco de paula ma Mai se Recomenda a vmces mto saudoza ela tem estado de cama bem doente e ainda esta Ds Gde a vmces ms annos


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