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CARDS2158

[1774]. Carta de [Diogo (James) Ferrier], coronel e professor de artilharia, para José Anastácio da Cunha, matemático e poeta.

SummaryCarta escrita em tom de brincadeira por um amigo do destinatário, misturando três línguas: português, francês e inglês. A Inquisição resumiu-a assim: "hua carta sem data com o nome metido em cetera que contem hum brinco e grimatica em que lhe chama libertino".
Author(s) Diogo (James) Ferrier
Addressee(s) José Anastácio da Cunha            
From S.l.
To S.l.
Context

Pequena biografia de José Anastácio da Cunha (1744-1787), preparada por Fernando Reis para a página "Ciência em Portugal" do Centro Virtual Camõeshttp://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p7.html:

Matemático e poeta, nasceu em Lisboa a 11 de maio de 1744. De ascendência humilde, o seu pai, Lourenço da Cunha, era um pintor com alguma notoriedade, que passou um curto período em Roma de forma a melhorar a sua técnica. A sua mãe, Jacinta Inês, foi criada e recebeu educação elementar. José Anastácio da Cunha foi educado em Lisboa, no Convento de Nossa Senhora das Necessidades que pertencia à Congregação do Oratório. Segundo testemunhos do próprio Anastácio da Cunha à Inquisição, os Oratorianos ensinaram-lhe Gramática, Retórica e Lógica até aos 19 anos. No que diz respeito à Física e à Matemática foi um autodidata. Em 1764 foi colocado nomeado Tenente do Regimento de Artilharia do Porto e colocado na praça de Valença do Minho. O Regimento de Artilharia do Porto era constituído por uma maioria de oficiais estrangeiros, muitos deles protestantes, que influenciaram Anastácio da Cunha. Terá então aderido a ideais como a tolerância, o deísmo e o racionalismo, que vieram a integrar a sua produção científica e poética.

Devido à sua relação de amizade com os oficiais britânicos, aprendeu a falar inglês fluentemente o que, juntamente com os conhecimentos que tinha de outras línguas como o francês, latim, grego e italiano, lhe permitiu traduzir autores como Voltaire, Pope, Otway, Horácio, Rousseau, Holbach, Helvetius e outros. Pensa-se que foi neste período que aderiu à maçonaria, por influência dos seus amigos estrangeiros.

Em 1769 fez, a pedido do Major Simon Frazer, uma memória sobre balística, intitulada Carta Fisico-Mathematica sobre a Tehoria da Polvora em geral e a determinação do melhor comprimento das peças em particular, onde apontava erros e falta de precisão que encontrou em alguns trabalhos sobre artilharia. Em 1773 o Marquês de Pombal nomeou-o lente de Geometria na Universidade de Coimbra, na sequência da Reforma da Universidade levada a efeito em 1772. Anastácio da Cunha não encontrou ambiente propício ao desenvolvimento e aplicação das suas capacidades e após a morte de D. José I, em 1777, foi denunciado à Inquisição, preso em 1 de julho de 1778 e acusado de envolvimento com os protestantes ingleses em Valença, de ler Voltaire, Rousseau, Hobbes e outros autores perigosos e de corromper as gerações mais novas através da sua eloquência. Foi considerado culpado das acusações e excomungado, afastado do seu cargo na Universidade, dos seus títulos e viu confiscados os seus bens. Foi ainda condenado a participar num auto da fé e a ficar encerrado na Congregação do Oratório em Lisboa, após o que seria deportado para a cidade de Évora durante 4 anos. Foi ainda proibido de voltar a Valença e a Coimbra. Após dois anos nos Oratorianos a sua pena foi reduzida a residência obrigatória nos Oratorianos.

Entre 1778 e 1781 teve que se dedicar ao ensino privado para subsistir e em 1783 foi contratado pelo Intendente Pina Manique para o Colégio de S. Lucas da Casa Pia como professor de Matemática, tendo aí elaborado o programa pedagógico da Casa Pia. Enquanto esteve na Casa Pia concluiu a sua obra Princípios Mathematicos. Por volta de 1785-86 perdeu a sua posição na Casa Pia, por razões que se desconhecem. Morreu a 1 de janeiro de 1787.

O processo inquisitorial de José Anastácio da Cunha foi inicialmente estudado e parcialmente publicado por Teófilo Braga, António Baião e João Pedro Ferro: Teófilo Braga (1898) Historia da Universidade de Coimbra nas suas relações com a instrucção publica portugueza. Tomo III 1700-1800. Lisboa,Typographia da Academia Real das Sciencias (pp. 611-636), António Baião (1924/1953) Episódios Dramáticos da Inquisição Portuguesa, Vol. II, Lisboa, Seara Nova (2ª ed.) e João Pedro Ferro (1988) "O processo de José Anastácio da Cunha (1744-1787)", in Inquisição: Comunicações apresentadas ao 1.º Congresso Luso-Brasileiro sobre Inquisição, Vol. III, Lisboa, Sociedade Portuguesa de Estudos do Século XVIII, pp. 1065-1086.

Sobre a vida e obra de José Anastácio da Cunha, consulte-se a edição de Maria Luísa Malato Borralho e Cristina Alexandra de Marinho (2001) José Anastácio da Cunha: Obra literária, Vol. I, Porto, Campo das Letras.

Support meia folha de papel dobrada escrita nas três primeiras faces
Archival Institution Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Repository Tribunal do Santo Ofício
Collection Inquisição de Coimbra
Archival Reference Processo 8087
Folios 38r-39r
Transcription Leonor Tavares
Main Revision Rita Marquilhas
Contextualization Leonor Tavares
Standardization Catarina Carvalheiro
POS annotation Clara Pinto, Catarina Carvalheiro
Transcription date2009

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Meu Menino Octaginario e Caduco,

Puisque tu veux de la verité en voila une petite dose para obtundir a acrimonia dos teus humores. Se algum pontinho desta carta picando-te te of-fenda don't blame me for it il n y a rien du mien dedans c'est l aimable verité qui te parle par ma bouche, Je ne suis que son Truchement. Copia- Hes hum asno, Jozé; hes hum delicado composto das maiores con-trariedades q se achão no mundo. Mavioso, teimoso, resignado, deses-perado, Phylosopho, Geometra, Poeta amigo sizudo, Libertino. Despre-zador do Pedantismo estebelecido te abriste huma nova e intricada verêda por onde vays chotando, com toda a seriedade daquelle sabio Animal q acconselho a Baláam; sem jamais te desviar pa a direita ou pa pa a esquerda trazendo os seus por Antolhos. Engeitas as rimas mal-medidas q ha tempos te enviou hum meu Devoto q queria ser poeta, por ao teu a" ver são fantasticos os pensamtos viste os por a false medium: pour les enfans il faut dorer la pilule; et quand je veux saluer les têtes couronnées, memes les plus saintes, et justes unto os beiços com o mel da adulação, arrastada ando q até me vejo obrigada a valer me dos auxilios da ma maior inimiga e quando quizera dizer façai isto, digo, ás vezes, Vous l' avez fait pa ver se servirá de a monitory e desperta dor á ma worthy amiga ( q alguma coiza dorminhoca) a Consciencia. Se ainda respeitas os meus decretos emenda quatro strophes pa certificar o apprendiz na medição e verás q o Genio fallará a pura verdade; elle como familiar tem maiores e mais Amplas Licenças do q o Pobre author Asignado, La Verité What is become of D Jozé? he owes me a letter, but that would not prevent me from writing to him if I only knew where he were to be found. Beijo as mãos ao Asmodeu de algum dia e o flelicito na sua con-versão; Ds lhe auxilios e lhe unte as juntas e faculdades da alma com o oleo da sua Graça pa o confirmar nas suas boas disposições. Alcança me a benção de tua Mae e vem tu pa Setembro convalecer das tuas Molestias, j ai hum excellent berceau de jasmins, une Maison assez commode peu d argent et peu de Santé, mais beaucoup de confiance en Dieu; etc Je suis e serai en tant que j aurai de la memoire

teu amigo D J 1th agust

Legenda:

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